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Imunodeficiências: como a genética pode ajudar?

Aconselhamento Genético

Imunodeficiências: como a genética pode ajudar?

As imunodeficiências primárias (genéticas) são também conhecidas como erros inatos da imunidade.

genética desempenha papel central nas imunodeficiências primárias, que são distúrbios causados por alterações intrínsecas do sistema imune, geralmente decorrentes de variantes patogênicas em genes essenciais para o desenvolvimento, função ou regulação das células imunológicas. Atualmente, mais de 485 imunodeficiências primárias (também chamadas de erros inatos da imunidade) já foram descritas, sendo a maioria de origem monogênica, embora existam formas poligênicas, como observado em quadros como a imunodeficiência comum variável (CVID).

 

A identificação do defeito genético é fundamental para o diagnóstico preciso, orientação terapêutica individualizada, aconselhamento genético e rastreamento familiar. O uso de testes genéticos, como o painel genético para imunodeficiências e em alguns casos o sequenciamento do exoma/genoma, tornou-se parte indispensável da avaliação de pacientes com suspeita de imunodeficiência primária, conforme recomenda o comitê de Imunodeficiências Primárias da American Academy of Allergy, Asthma & Immunology.

 

O geneticista ajuda os pacientes em diversos aspectos, avaliando a princípio se o exame genético está realmente indicado. Poucos destes exames tem cobertura pelo plano de saúde, quando tratamos da investigação para imunodeficiências. Caso exista indicação, ajuda a definir o melhor exame (estratégia diagnóstica), explicando custo-benefício, limitações do testes e possíveis resultados.

 

Por fim, tem papel fundamental para ajudar os pacientes, e inclusive os médicos alergistas e imunologistas, na correta interpretação dos resultados genéticos o que pode impactar diretamente no manejo clínico, permitindo intervenções precoces e direcionadas. Eu geralmente faço, após a realização dos exames, um relatório direcionado ao colega médico que já acompanha o paciente para que ele tenha um parecer do geneticista em mãos.

 

Esses dias atrás tivemos aqui na clínica um caso que serve de exemplo da aplicação da genética na imunologia. Paciente foi identificado como portador de uma alteração genética causal no gene IL2RG associada a imunodeficiência combinada grave (SCID ligada ao X). O diagnóstico molecular permitiu confirmar a etiologia genética, orientar ao tratamento definitivo (transplante de células-tronco hematopoéticas, embora exista hoje trials para terapia gênica) e realizar o aconselhamento genético para familiares – existe um irmão possivelmente afetado na família com quadro clínico mais leve.  A análise genética é fundamental para distinguir SCID de outras imunodeficiências, já que mutações em diferentes genes (como ADA, RAG1/2, JAK3) resultam em fenótipos semelhantes, mas com implicações terapêuticas distintas. Era um paciente que já havia realizado inúmeros exames laboratoriais anteriormente e agora finalmente chegou a um diagnóstico definitivo. Seu planejamento vacinal foi também alterado e cartão de vacinas atualizado.

 

A investigação genética em imunodeficiências é sempre desafiadora, mas pode ser útil. Meu papel, como médico geneticista é pesquisar sobre o caso e conduzir a família na melhor estratégia diagnóstica. Se você busca uma respota para problemas de saúde desta natureza, pode contar comigo.

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